Como escrever um currículo: estrutura, ordem e o que cortar
A ordem das seções muda conforme o seu momento de carreira. Guia prático de estrutura, com o que incluir e o que deixar de fora.
Não existe uma estrutura única de currículo que sirva para todo mundo. Existe uma pergunta que define a estrutura: qual é a informação mais forte que você tem para essa vaga? Ela vai primeiro. O resto se organiza em volta.
As seções, e quando cada uma vai primeiro
Quem tem experiência relevante começa por experiência. Quem está saindo da faculdade começa por formação. Quem trabalha em ofício técnico frequentemente começa por certificações — uma NR-10 válida pesa mais que a ordem cronológica dos empregos.
NR-10 é a Norma Regulamentadora de segurança em instalações e serviços em eletricidade, exigida por lei para quem trabalha na área. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego
- —Dados de contato: nome, telefone, e-mail, cidade. Sempre no topo, sempre em texto.
- —Resumo: três a quatro linhas dizendo quem você é profissionalmente e o que procura.
- —Experiência: cargo, empresa, período e o que você fez — nessa ordem.
- —Formação: curso, instituição, período. Ensino médio só aparece se for sua formação mais alta.
- —Competências: ferramentas e habilidades específicas, não adjetivos.
- —Idiomas, cursos e certificações: quando forem relevantes para a vaga.
O resumo é a parte mais lida e a pior escrita
O resumo costuma ser preenchido com frases que poderiam estar em qualquer currículo do mundo. "Profissional proativo, dinâmico e comprometido, buscando novos desafios" não diz nada — e ocupa o espaço mais valioso da página.
A segunda diz o que a pessoa faz, há quanto tempo e o que quer a seguir. Um recrutador consegue decidir se continua lendo.
Descrever experiência: o que aconteceu, não a atribuição
A maioria dos currículos descreve a descrição do cargo — "responsável por atender clientes" — em vez de descrever o que a pessoa fez naquele cargo. A diferença é o que separa um candidato de uma lista de funções.
Número e progressão. "Assumi o fechamento após seis meses" mostra confiança conquistada, sem precisar dizer que você é confiável.
Se você não tem números, use fatos verificáveis: quantas pessoas na equipe, qual turno, qual sistema usava, o que mudou enquanto você esteve lá.
O que cortar
- —Objetivo genérico ("crescer profissionalmente na empresa") — ocupa linha e não informa.
- —Estado civil, idade, número de filhos. Não é pedido e abre espaço para viés.
- —Foto, quando a vaga não pede. No Brasil é comum, mas é opcional — algumas empresas pedem para não incluir, sob o argumento de reduzir viés na triagem, embora o efeito real disso seja debatido entre especialistas.
- —Nível de habilidade em barrinhas. "Excel: 80%" não significa nada para quem lê.
- —Empregos muito antigos e sem relação com o que você busca agora, se a página estiver apertada.
- —Referências listadas nominalmente. "Disponíveis mediante solicitação" basta, e protege o contato de quem confiou em você.
Uma ou duas páginas?
Uma página é o padrão para quem tem até cerca de dez anos de carreira. Duas se justificam quando há trajetória longa e relevante — não quando há repetição. Currículo de três páginas quase sempre é currículo de uma página com desconto de edição.
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